Vagante – [Análise do Arena]

Em Vagante a morte traz experiência

Publicado pela editora independente espanhola, BlitWorks, e desenvolvido pelo estúdio norte-americano, Nuke Nine, o roguelite de plataforma Vagante foi inicialmente lançado para PC e, agora, está presente nos consoles.

Trailer oficial de Vagante

Consegue imaginar a história?

Apesar de não apresentar todo um enredo, personagens com seus nomes e objetivos, ou diversas cutscenes, entre a tela de início do jogo e o momento em que você aperta start para escolher o personagem, já é possível imaginar uma história por trás do seu personagem. Seriam aventureiros juntos em uma caravana em busca de mistérios? Mercenários em busca de qualquer dinheiro, onde quer que estejam? Um clássico time de aventureiros, de diferentes classes, que estão em uma missão? Não sei, mas gosto de imaginar que seja um desses casos, de qualquer forma, todos estão fadados a enfrentar os perigos que os esperam nessas desconhecidas dungeons.

Tela inicial do Vagante
Tela inicial onde escolhemos a classe e passado do personagem.

Vagante é um resultado de inspirações bem trabalhadas

Logo ao entrar na caverna, que é o primeiro conjunto de fases, é evidente a inspiração de Vagante no clássico Spelunky, o jogo conta com mecânicas de plataforma, lojistas e outras semelhanças com o que eu gosto de chamar de “espelunca”. Segundo o co-fundador da Nuke Nine, Eugene Paik, o jogo, além de se inspirar em Spelunky, se inspirou também em Dungeon Crawl Stone Soup (DCSS) e, após ver um pouco mais sobre o DCSS e relembrar todas as minhas horas no “espelunca”, posso afirmar que Vagante juntou o melhor dos dois jogos e fez algo muito bem feito.

A junção de algumas mecânicas de Spelunky com elementos RPG fez com que o jogo ganhasse uma identidade própria, não é só mais um jogo com elementos RPG e nem uma obra meramente inspirada em Spelunky, já que, diversos elementos dos dois jogos usados como inspiração não foram implementados em Vagante, e esse foi o acerto, a equipe da Nuke Nine soube dosar bem o que seria proveitoso ou não para este desafiante jogo.

Visual e som caprichado

Algo que acho legal em jogos que possuem gráficos nessa pegada mais retrô é que com as ferramentas atuais e com todos os jogos já lançados até hoje é possível fazer trabalhos sensacionais. Vagante utiliza muito bem seus gráficos, a iluminação é, com certeza, um dos pontos mais fortes, desde os vaga-lumes na tela de seleção de classe, até o movimento fluído das tochas.

Cada parte do jogo possui um estilo totalmente diferente das outras, desde monstros e cenários, até itens, magias e personagens. A única coisa que eu acharia interessante que adicionassem, seria uma diferenciação nos itens, de acordo com seus efeitos, por exemplo, se um item tem o efeito de veneno, seria legal ter uma aparência que remete a isso, ou uma espada que inflige chamas, uns efeitos sutis de fogo seriam bem legais. E como não poderia faltar, cada classe possui quatro skins diferentes, permitindo que você encontre a morte com o seu melhor traje.

Uma das minhas partes preferidas em Vagante é a sonora, tanto as músicas quanto os efeitos, principalmente quando se está na tela de seleção de classe ou na área entre as fases. Ouvir alguns sons como se estivessem um pouco distantes, só esperando você avançar para encontrar algo novo, o som dos grilos e de outras coisas que nem sei especificar o que são.

Com sistema de classes, passados e fases aleatórias, cada run é única

Inicialmente, o jogo te disponibiliza três classes, sendo elas: Knight (Cavaleiro), Rogue (Ladino) e Mage (Mago). Cada classe possui seus pontos fortes e fracos, tendo atributos diferentes, uma arma inicial diferente e habilidades distintas que podem ser evoluídas durante a run e destacar ainda mais cada classe umas das outras. Conforme você avança no jogo e ganha experiência, você consegue liberar mais duas classes, sendo elas: Wildling (Selvagem) e Houndmaster (Mestre da Matilha).

As 5 classes de personagens disponíveis em Vagante.
As 5 classes de personagens disponíveis em Vagante.

Além de poder escolher uma classe, conforme você joga e sobe de nível, você libera os “passados”, esses passados são uma espécie de carta que, como o nome sugere, dá um passado ao seu personagem, alterando algumas características nele, a grande sacada dos passados é que eles acrescentam algo e tiram alguma coisa, ou adicionam um efeito ruim. Só é possível escolher 1 passado para cada run, então você pode ir testando cada um e ver qual deles mais te agrada, e claro, qual deles se encaixa melhor com cada classe. No meu caso, depois que desbloqueei o passado que fornece um gancho, minha vida mudou.

Backgrounds
Menu de seleção de classe onde é possível escolher entre os passados liberados.

Ah, não ache que você pode decorar as fases em Vagante, onde estão os baús, onde cada inimigo fica, nada disso, as fases são totalmente aleatórias, mais um fator que deixa cada run ainda mais única. E claro, cabe a você se adaptar a todo tipo de layout de fase gerado, algumas fases podem te beneficiar e outras podem judiar MUITO de seu pequeno aventureiro.

Curiosidade e atenção são as chaves

Vagante não te disponibiliza instruções claras e diálogos explicativos sobre como cada coisa funciona, somente no tutorial, que te dá uma base das principais coisas do jogo. Por isso, ser curioso e prestar atenção nas pequenas frases e símbolos que aparecem ao realizar certas ações, são de grande importância para que você domine a forma como o jogo funciona e consiga tirar o maior proveito de tudo que estiver disponível nas fases.

Um bom exemplo disso são os shrines (santuários) que ficam espalhados pelas fases, você só entenderá como eles funcionam após usá-los e, talvez, você precisará usar várias vezes para entendê-los, por isso, preste atenção no que cada um causa a você, ao mapa, ou aos seus itens.

Um dos shrines que ficam espalhados pelas fases, o que será que esse faz?

Difícil, mas justo

Vagante é um jogo difícil, possui diversos desafios que o jogador precisa lidar até que consiga se sentir “mais em casa”, porém, é um jogo justo. Vencer os desafios impostos pelo game é realmente gratificante e te trazem uma experiência que fará uma grande diferença nas próximas runs, então, não deixe que algumas mortes te desanimem, vai acontecer, e vai acontecer muito! Com o tempo, você aprende a usar o cenário ao seu favor, não cairá tão facilmente em armadilhas e saberá como driblar certos comportamentos dos inimigos.

Vagante 12
Um boss derrotado em um belo uso de cenário ao meu favor (e o peixinho capotado).

No final, mesmo que você seja um jogador experiente, talvez você morra na primeira fase da run, pois, além de todos os perigos, o jogo possui pelo menos duas armadilhas que são hitkill se você cair nelas, a menos que você tenha certos itens que reduzam o dano tomado ou que te protegem totalmente contra certos danos. Ou seja, apesar de todas as dificuldades, o jogo te oferece diversas ferramentas para lidar com elas, mas claro, é tudo aleatório, então, sempre vai depender muito, um item pode fazer total diferença na sua run, mas, talvez você nem sequer veja esse item nas suas próximas tentativas, e é nesse cenário em que você precisa se adaptar e lidar com todo tipo de situação possível.

Mais um shrine ao lado do personagens e logo a frente, uma série de estacas levemente perigosas.

Mas é claro, sempre há aqueles jogadores que vão além, se você é um deles e o desafio de Vagante não é o bastante, assim que você termina o jogo pela primeira vez, você libera o modo difícil, que traz a versão elite dos monstros, que possuem mais vida, atacam num ritmo diferente e até soltam um lootzinho quando são derrotados. Além disso, os chefes mudam de comportamento, a luz do mapa é reduzida, a cura da fogueira entre as fases fica menor, e diversas outras mudanças adequam o game aos jogadores mais hardcores.

Sofrer sozinho? Sofra com amigos!

Vagante te possibilita jogar em modo cooperativo com até três amigos, tanto online quanto de forma local, por que sofrer sozinho se você pode sofrer com três amigos? Mas cuidado, a morte ainda é perigosa, porém, mesmo morrendo, você pode voltar como esqueleto e ainda contribuir com seu grupo, mas, nada é melhor que estar vivo.

Estando vivo ou como esqueleto, a estratégia continua sendo importante para que se avance de fase, caso não pensem direito, o final não será outro além desse: 4 túmulos e mais uma run encerrada.

“Bugzinho” que deixa qualquer um em choque

Só lembro de ter encontrado um bug em Vagante, e ele foi desesperador, de um dia para o outro, sempre que eu chegava na tela de seleção de classe ou assim que entrava na primeira fase, o jogo simplesmente fechava sozinho. Fiquei alguns minutos tentando resolver e nada dava certo, reiniciei o console e tudo mais, até que, no dia seguinte, decidi testar o jogo em outra conta e, para minha surpresa, funcionou normalmente. Então, decidi apagar o meu save local do jogo e abrir ele novamente, assim que abri ele e escolhi minha conta, o jogo sincronizou com o arquivo salvo na nuvem e parou de fechar. Fica aí a dica caso esse problema ocorra com você.

Conclusão

Vagante foi uma bela surpresa para os consoles em 2022, conseguindo trazer o melhor dos jogos em que foi inspirado. O jogo conta com um visual e sons bem trabalhados. Com a grande variedade de itens, armas, passados, magias e, claro, as individualidades de cada classe, o seu jeito de jogar se torna único. Cada run apresenta um novo desafio, algo para se adaptar e isso não deixa a jogatina cair na mesmice, a menos que morrer várias vezes seja um problema para você. Caso você não seja um monstro dos roguelites ou algo do tipo, passará de 20 horas facilmente até finalizar o jogo pela primeira vez.

Adquira Vagante agora mesmo na Microsoft Store.

Análise do Arena

Vagante foi uma bela surpresa para os consoles em 2022, conseguindo trazer o melhor dos jogos em que foi inspirado. O jogo conta com um visual e sons bem trabalhados. Com a grande variedade de itens, armas, passados, magias e, claro, as individualidades de cada classe, o seu jeito de jogar se torna único. Cada run apresenta um novo desafio, algo para se adaptar e isso não deixa a jogatina cair na mesmice, a menos que morrer várias vezes seja um problema para você. Caso você não seja um monstro dos roguelites ou algo do tipo, passará de 20 horas facilmente até finalizar o jogo pela primeira vez.

8.9
Viciante
  • Gráficos 7.5
  • Dificuldade 9
  • Gameplay 9
  • Fator Replay 10

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