Control – [Análise do Arena]

Mais um belo gol da Remedy

Publicado pela 505 Games e anunciado como uma surpresa durante a E3 2018, Control tinha a “responsabilidade” de fazer jus ao grande legado deixado por Quantum Break e Alan Wake. Será que Sam Lake (diretor e roteirista da desenvolvedora Remedy) e sua equipe conseguiram? Você confere nossa análise agora.

  • “Isso vai ser mais estranho que o normal”

Assim como é característico em Quantum Break e em Alan Wake, Control não se preocupa muito em contar e reviver o início da vida de Jesse Faden (protagonista do game) para o jogador. Sua grande motivação é achar o irmão Dylan, “capturado” FBC, Federal Bureau of Control, que é um departamento especializado em fenômenos paranormais.

Ao chegar na agência em busca de respostas, Jesse encontra um prédio abandonado, como se ninguém estivesse trabalhando. E quando o jogo realmente começa, ela é a nova diretora, substituindo o antigo, encontrado morto e deve lidar com a ameaça conhecida como “Ruído”. Entidade que contaminou grande parte dos funcionários e modificou toda a arquitetura do prédio.

O que faz com que o enredo de Control seja o mais bizarro e criativo, é a forma como os funcionários não afetados pelo Ruído tratam Jesse como a nova diretora de uma maneira como se nada tivesse acontecido. Nada é explicado e Jesse também parece não se importar muito com isso. Acho que a partir desse ponto, podemos notar como Sam Lake se inspira em Twin Peaks e outras narrativas de David Lynch. Sem muitas amarrações e explicações concretas, a história é construída quase como um filme paranormal, quase beirando o terror e agonia, mas sem jump scares. Você simplesmente fica boquiaberto com os fenômenos (recomendo fortemente assistir o episódio 8, da terceira temporada de Twin Peaks, para entender do que estou falando. Ou não entender absolutamente nada).

  • Controle Control

Quase podendo ser chamado de metroidvania, Control oferece um gameplay espetacular e dinâmico, graças as habilidades (a grande maioria encontradas em sidequests) e mecânicas que Jesse vai adquirindo ao longo do jogo. Essas, que também podem ser evoluídas. Além de flutuar, arremessar objetos com a força da mente (alguém mais lembrou de Eleven?) e, tomar inimigos, Jesse conta com uma arma que pode se transformar de cinco maneiras diferentes, como uma tradicional shotgun ou uma metralhadora. Vale lembrar que as balas são infinitas e são recarregadas automaticamente, em em ritmo cadenciado.

Ao completar objetivos, Jesse acumula pontos, que também podem ser distribuídos em aumento de vida e energia. Ao destruir inimigos, alguns materiais são coletados e podem ser transformados em mods, que são acoplados nas diferentes formas da arma e fazem um aumento de dano em 10% ou um aumento na velocidade de disparo. Mas a verdade é que essas vantagens não são muito percebidas ou valiosas nas missões.

Assim como em seus antecessores, Control não utiliza o sistema de cover, como em Gears of War. Aqui, você deve estar em constante movimento, atirando enquanto pode e utilizando de seus poderes, seja para eliminar corrompidos, seja para desviar de tiros dos inimigos.

A única parte amarga do frenético e empolgante gameplay é a queda de quadros por segundo, fazendo com que um simples retorno de um pause, faça com que o jogo chegue a “engasgar” por um pequeno momento.

  • “A” Casa Antiga é a maior casa do mundo

Em questão de visual, Control é de uma beleza “diferente”, fazendo com que os departamentos corrompidos e o plano astral, no qual Jesse passa por um tutorial para aprender uma nova habilidade, sejam repletos de uma espécie de pedra polida, gerando um ambiente maravilhoso. Todos os setores, apesar de simples e brutos (afinal, é um “laboratório”), tem detalhes interessantes para serem coletados, fazendo uma imersão e “entendendo” um pouco mais do que se passa nesse lugar misterioso. Ao purificar um setor, toda a arquitetura muda, fazendo com que tudo se encaixe perfeitamente. Esse efeito gera uma sensação inexplicável, onde tudo faz sentido.

Ao conseguir acesso aos diferentes andares, você descobre novos lugares, que instigam para saber o que pode ser encontrado lá. As missões secundárias estão espalhadas e não necessariamente precisam ser completadas. Mas são tão interessantes, que vale a pena investigar cada setor do Bureau. E todo e qualquer objeto pode ser destruído por Jesse, graças aos seus poderes paranormais.

  • Viemos para confundir, e não para explicar

Control possui um gameplay magnífico e dinâmico, cenários lindos, apesar de simples, mas peca em alguns exageros, como o caso de missões temporárias, que dão loots pouco recompensadores e desnecessários na proposta do game. A falta de checkpoints em determinados pontos do jogo chegam a ser injustos, fazendo com que você volte um pedaço significativo. Punição essa, especialmente sentida na missão “Polaris”. O mapa, por sua vez, chega a mais confundir, do que orientar, além da demora do carregamento. Mas isso não quer dizer que o jogo é desonesto. Mas sim, que exagerou em alguns quesitos de navegação e dificuldade (essa, que não tem fácil ou difícil).

  • Veredito

Control faz jus ao legado da Remedy, com uma história bizarramente maravilhosa e não se preocupa com amarras soltas e bebe muito da fonte de Twin Peaks, Arquivo X e outros seriados paranormais. Com um gameplay dinâmico, o jogo acerta na dose em oferecer ao jogador várias formas de combater o inimigo. A destruição do cenário é algo bonito de ver, e explorá-lo para conhecer mais elementos do enredo, é cativante. As quedas de quadros por segundo precisam ser corrigidas urgentemente, especialmente para Xbox One S e o modelo tradicional.

8.3
Muito bom

Com uma história digna de um episódio de Twin Peaks, Control acerta na dose de gameplay, mas peca no exagero de acrescentar elementos desnecessários a um game com proposta metroidvania.

  • Gameplay 9
  • Enredo 9
  • Visual 8
  • Performance 7

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