Setembro Amarelo
O silêncio pode dizer muita coisa.

Battletoads – [Análise do Arena]

Depois de 26 anos Battletoads está de volta

A Rare nessa geração foi uma peça fundamental para a Xbox Game Studios, principalmente com o grande sucesso de Sea of Thieves. Porém, mesmo após o lançamento do Rare Replay, uma coletânea de jogos para comemorar os 30 anos do estúdio, os fãs ainda queriam ver uma nova aventura dos Sapos brigões em Battletoads. E depois de 26 anos, a franquia está de volta. Dessa vez, desenvolvido pelo estúdio inglês, Dlala Studios.

A última aparição de um dos personagens de Battletoads, foi em Killer Instinct, onde o personagem Rash foi adicionado ao elenco de lutadores na terceira temporada do jogo de luta. Porém, a última aventura de fato dos sapos lutadores foi de fato em 1994 em Battletoads Arcade. Após longos 26 anos, podemos agora nos aventurar novamente com Zitz, Rash e Pimple em mais aventuras galácticas, no clássico estilo beat’em up, com muitos puzzles e novidades para este retorno da  franquia.

A história começa com os irmãos Battletoads, que estavam como sempre vivendo suas aventuras, enfrentando diversos inimigos monstruosos com muita pancadaria e levando uma vida de “fama”, porém, mal sabiam eles que viveram praticamente 26 anos dentro de um bunker! Agora que eles estão do lado de fora, precisam encarar a triste realidade de que não são tão famosos assim e precisam trabalhar em serviços chatos para poderem sobreviver. Mas Rash não está satisfeito com isso e leva seus irmãos para procurar novas confusões em busca de fama e sucesso. E para começar, eles vão atrás da antiga vilã, Dark Queen e é aí que começa a aventura!

HUMOR, PANCADARIA E UMA NOVA ROUPAGEM PARA OS ‘IRMÃOS’ BATTLETOADS

Recentemente, tivemos a volta de títulos beat’em up, como o mais recente Streets of Rage 4, porém, o novo Battletoads, assim como os jogos antigos da franquia, não se enquadra somente nesse gênero, pois traz de volta consigo outros modalidades de gameplay, como as famosas fases onde é possível pilotar motocicletas futuristas, fases de plataforma, fases dedicadas para puzzles e até mesmo o gênero shoot ’em up está presente dentro do jogo.

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Nas fases beat’em up é onde vemos uma ação desenfreada acontecendo, lutando em cenários 2D contra diversos inimigos. A jogabilidade está bem equilibrada entre os sapos, e se você pretende jogar sozinho, poderá alternar entre os ‘irmãos’ a qualquer momento, apenas apertando uma das setas. Assim, podendo selecionar Rash, que é o personagem mais equilibrado, com movimentos normais e causa um dano mediano nos inimigos, Pimple, que é o mais lento, porém, com golpes mais fortes e o líder Zitz, que é o mais rápido e o que tem mais facilidade para se fazer combos mais divertidos, entretanto, é o que causa menos dano. Mas graças a possibilidade de poder alternar durante as lutas, você poderá decidir qual será o sapo ideal para o momento em que estiver jogando. Existem diversos combos para se fazer com cada personagem, existem combos que fazem referências a fliperamas e também que são bem viajados, entrando na onda do jogo.

Se você pretende jogar com mais dois amigos, cada um controlará um personagem fixo. Quando um dos personagens é nocauteado, ele retornará após 20 segundos, porém, se todos forem derrubados, será gamer over e começará tudo de novo. As lutas acontecem em um espaço delimitado com muitos inimigos e em alguns cenários é possível alternar para a parte de trás, utilizando a língua dos sapos. No final de algumas batalhas, aparecem moscas que podem ser comidas para recuperar um pouco da barra de vida do jogador.

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As fases que utilizam as motos é bem diferente do que estávamos acostumados nas versões mais antigas do jogo. Agora, os obstáculos surgem de frente para o jogador, os botões LB e RB dão um dash maior para os lados e o botão A serve para pular pelos obstáculos. Para alegria dos mais saudosistas, essas fases continuam sendo difíceis, porém, elas não são geradas aleatoriamente, então, você acaba decorando o que fazer para passar de cada obstáculo e onde pegar os coletáveis que também estão presentes nessas fases. Infelizmente, um dos modos mais legais do jogo não aparece muitas vezes durante a campanha.

Sleighing It

Em geral, as fases de plataforma são as mais calmas dentro do jogo, e só existe uma fase especificamente que vai exigir mais habilidade do jogador e vai ser necessário apertar alguns botões no momento exato para conseguir surfar pelas plataformas. Porém, a maioria das fases são mais tranquilas, onde o personagem Pimple pula por espinhos perigosos e pode arrastar caixas para subir em lugares mais altos. Na verdade, essas fases até meio que quebram o ritmo do jogo, tirando toda aquela dificuldade de fato de cima do jogo, proporcionando um momento mais calmo e com os coletáveis mais fáceis de se encontrar.

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Com certeza, uma novidade para Battletoads são as partes onde a gente controla a nave do grupo pelo espaço no maior estilo shoot ’em up, como os jogos da série Ikaruga. É um ponto alto a se destacar, um trabalho bastante primoroso por parte da Dlala Studios, sendo uma das partes mais difíceis do jogo, onde o jogador precisará ter bastante habilidade e reflexos. Os controles são bem simples: o analógico da esquerda controla a nave, enquanto o analógico da direita dispara e para desviar dos diversos tiros é preciso segurar o botão RT. A variedade de naves inimigas é bem interessante também, cada uma com tiros diferentes que podem se espalhar por todo mapa ou até mesmo perseguir o jogador pelo cenário. Porém, a cada horda enfrentada, você tem seus pontos de vida recuperados, e também é possível encontrar pelo cenário itens que podem recuperar sua vida e até mesmo modificar os seus tiros temporariamente.

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Entre algumas fases, existem alguns “mini-games” com quick time events, ou seja, é necessário apertar os botões na hora exata para cumprir alguma ação. E muitas dessas fases são bem divertidas e se encaixam perfeitamente na história do jogo, porém, existem bastante fases como essa durante toda a campanha, o que meio que também acaba quebrando um pouco o ritmo do jogo, dando meio que uma aliviada.

Os puzzles encontrados nas fases são até bem simples de se resolver na maioria das vezes, mas as fases específicas dedicadas para resolução desses quebra cabeças são as que mais me deram dor de cabeça. Existem momentos em que você tem uma grande quantidade de diversos puzzles na mesma tela e tem que adivinhar qual você está fazendo e precisa terminá-los em um determinado tempo. Tecnicamente você vai aprendendo errando, entretanto, esses momentos são mais raros durante a campanha e depois de um determinado tempo você, começa a encontrar uns macetes para completá-los.

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A ARTE E TRILHA SONORA

A proposta da Rare e Dlala Studio é trazer os fãs antigos de volta, porém, com uma nova roupagem para Battletoads, adaptando a arte como se fosse um desenho de TV da década de 90 com personagens, situações e história nonsense, com diversas situações absurdas sem pé nem cabeça. As conversas entre os personagens são às vezes aleatórias mas traz um humor ácido que só os ingleses conseguem fazer, abordando diversos temas como política e religião e além disso, conseguem nos mostrar de forma mais clara a personalidade de cada um dos sapos, e essa personalidade deles é o que consegue desenvolver a trama da história de uma maneira gostosa e divertida de se acompanhar.

Os inimigos são os Topians e junto deles existe uma grande quantidade de novos inimigos, que trazem uma boa variedade na hora de lutar durante as fases, cada um deles possuem um tipo de golpe diferente, que vai desde de arremessar coisas nos personagens como até mesmo eletrocutá-los. 

Para acompanhar o jogo, toda a trilha sonora é praticamente inédita, sendo algumas versões novas de temas já conhecidos pelos fãs da franquia com riffs e arranjos de guitarra, que casam perfeitamente com a pegada do jogo. Infelizmente, o jogo não conta com uma dublagem para português brasileiro, porém, o jogo possui legendas para o nosso idioma.

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MAS E AÍ? É DIFÍCIL MESMO?

Com uma arte que consequentemente acaba atraindo um público mais infantil, Battletoads possui opções de dificuldade para que o jogador possa selecionar o que melhor for para ele. Nas dificuldades “Girino” e “Sapo”, que seriam as dificuldades fácil e normal existem algumas configurações adicionais para que caso o jogador morra muitas vezes em um determinado trecho do jogo, pode ativar o modo de invencibilidade e também existe a possibilidade de ativar ou desativar um alerta de quando os inimigos vão atacar. Porém, na dificuldade Battletoads, que seria equivalente ao modo difícil, não existem essas configurações e os inimigos tem a vida aumentada, além dos golpes serem menos efetivos também.

Eu acredito que o jogo consegue proporcionar uma experiência “Battletoads”, assim como nos clássicos, jogando na maior dificuldade, porém, os desenvolvedores pensaram na questão de acessibilidade para que mais pessoas pudessem conhecer a história passando pelos níveis na dificuldade em que desejar. Eu terminei jogo na dificuldade normal e posteriormente comecei a jogar na dificuldade Battletoads e senti uma grande diferença, tanto na vida dos inimigos quanto no dano que os golpes deles causam. Acredito que isso com certeza aumenta ainda mais o tempo de duração de jogo. Porém, o jogo consegue fazer os jogadores revisitar as fases para procurar pelos coletáveis, aumentando assim a vida útil do jogo, além de proporcionar uma bom fator replay.

Battletoads com certeza é uma grande surpresa vindo da Xbox Game Studios e conseguiu superar minhas expectativas de forma positiva, porém, a quantidade de fases QTE (quick time events) como citado anteriormente, infelizmente acabam quebrando o ritmo do jogo em determinadas partes, porém, o que vale a pena desses momentos é o humor que continua deixando interessante o jogo.

Independente do jogo possuir um estilo artístico diferente do que estávamos acostumados, você deveria experimentar essa nova roupagem do jogo e pode acabar se divertindo bastante nesse jogo que mescla tantos gêneros em um só. Battletoads será lançado amanhã, dia 20 de agosto e estará disponível para os assinantes do Xbox Game Pass para Xbox One e PC.

Battletoads consegue trazer uma gameplay divertida com uma mistura de diversos gêneros de jogos com uma boa pitada de humor inglês.

9
Ótimo
  • Design 9
  • Gameplay 10
  • Fator Replay 9
  • História 8
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