A Plague Tale: Innocence: dê uma chance e sobreviva

Existem diversos games com elementos de ação e aventura e alguns também com stealth. Mas, A Plague Tale: Innocence, além de tudo isso, recebeu diversas críticas positivas através da mídia especializada, desde seu lançamento em 14 de Maio

Uma das cenas mais marcantes do game envolve a praga de mesmo nome, manifestando-se na forma de ratos famintos e que parecem estar amaldiçoados. Esses animais possuem uma presença malévola e sobrenatural no contexto da história, pois seus gritos incessantes e arranhões em pavimentos de pedra sobre pilhas de cadáveres, criam um pesadelo que parece não ter fim. Como o lodo de esgoto, essas criaturas saem das fendas em direção às vítimas involuntárias, devastando-as até que sejam apenas pele e ossos.

É uma visão grotesca e arrepiante, que permanecerá em sua mente horas depois. Um game único, com imersão profunda e que precisa ser conhecido!

  • Sobre minha experiência com o game

Neste artigo, vou começar dizendo que mesmo que os ratos sejam uma presença constante em A Plague Tale: Innocence, servem apenas como pano de fundo para seus momentos mais pungentes, apresentando os dois personagens com os quais você passará a maior parte do tempo: Amicia e Hugo, um par de irmãos que de repente são empurrados para este inferno de guerra e pestilência.

A História é situada no meio da Guerra dos Cem Anos, durante a Idade Média, onde o conforto que os jovens irmãos uma vez conheciam, como filhos de uma nobre família francesa, foi implacavelmente destruído. A Peste Negra também causou terror no país, com a maior parte da população francesa morrendo de doenças relacionadas aos ratos. Compondo isso, está a Inquisição, um grupo fanático de cavaleiros ávidos por colocar as mãos no último dos descendentes de Rune.

Cercados de multidões sujas de ratos encardidos e com cavaleiros assassinos que caçam insistentemente, a dupla precisa se recompor, apoiando-se em meios furtivos para escapar dessa confusão. Mas não só você tem que navegar pelo tumulto como a adolescente Amicia, pois também terá que cuidar do Hugo de apenas cinco anos.

O pequeno menino entra em pânico e grita por Amicia quando ela se aventura muito longe dele, como qualquer criança pequena fará quando isolada.

Esse arranjo todo dá ao game uma aparência de uma missão de escolta muito bem elaborada, mas felizmente, esta experiência em particular sabe como subverter o tédio que é tão típico, dentre muito outros games do gênero. Apesar de sua carência e ingenuidade, Hugo é fácil de se gostar e retrata como a inocência humana é de fato. Sua maravilha infantil atravessa a miséria de suas circunstâncias, permitindo-lhe apreciar a beleza mesmo nos momentos mais sombrios.

Em uma outra cena, Hugo rapidamente “decola” para um píer próximo, fascinado pela visão curiosa de bolhas de sapos no lago. Mesmo um pequeno gesto do menino, como arrancar uma flor para gentilmente colocá-la no cabelo de Amicia, tais momentos são dolorosos e você compartilhará o crescente apego de Amicia por Hugo. Sua companhia é muito perdida quando ela precisa estar emparelhada com outros personagens que irá encontrar pelo caminho. Em um nível mecânico, também ajuda, apesar de que a inteligência artificial por trás dos personagens não foge da lógica, pelo menos na maior parte do tempo. Por exempo: Hugo não costuma perseguir uma borboleta no meio do problema, mas o game possui seus momentos em que um companheiro pode acidentalmente dar um mergulho suicida em uma piscina repleta de ratos famintos e insaciáveis.

Com a sobrevivência sendo o núcleo temático deste game, a inocência, em sua essência, é uma série de quebra-cabeças de sobrevivência, pois você precisará evitar as colônias de ratos vorazes, além de fugir dos cavaleiros da Inquisição. Os roedores ficam aterrorizados com a luz e se esgueiram em sua mera presença, uma fraqueza que você pode explorar para atravessar campos de batalha e cidades atingidas por hordas. Ainda assim, a chave para a sobrevivência é também a vigilância.

E quando alguns roedores conseguem se prender a você, Amicia pode se afogar em um redemoinho de ratos, enquanto eles a mordem verozmente e ruidosamente.

 

O que é decididamente menos impressionante, no entanto, são os membros da Inquisição, pois Amicia e Hugo não sobreviverão à maioria dos confrontos diretos com esses brutamontes blindados, os quais estão ansiosos para usar seus bastões e espadas ao descobri-los. Felizmente, para os irmãos de Rune, os cavaleiros também são literalmente “burros como pedras”, sendo esses bárbaros facilmente distraídos por ruídos altos ou movimentos repentinos, como quebrar um objeto perto de seus pés ou jogar uma pedra em direção a um baú próximo, cheio de armaduras.

Depois de olhar para o objeto ofensivo por um minuto, o cavaleiro resmungará e retornará ao que estava fazendo, parecendo até banal. Existem até NPCs que se acomodam em sua patrulha programada, de costas contra a torrente de roedores enlouquecidos. Para um game cuja narrativa depende muito de sua atmosfera de pavor e medo, alguns destes exemplos nada lógicos podem prejudicar um pouco o clima e a imersão da experiência. Mas isso também vai de cada jogador!

Por mais idiotas que os cavaleiros pareçam, ainda estão vestidos com armas e armaduras pesadas e podem se tornar inimigos devastadores. Para compensar sua falta de força bruta, Amicia pode modificar e aumentar seu fiel estilingue e munições com os materiais certos e uma pitada de alquimia básica, transformando a ferramenta humilde em uma arma mortal e versátil. Hugo não é um companheiro passivo também, pois pode chegar a lugares apertados e de difícil acesso, conseguindo ser corajoso o suficiente para rastejar por pequenas brechas nas paredes e abrir novos caminhos para ele e Amicia poderem seguir com a jornada.

 

Outros personagens, como um talentoso jovem alquimista chamado Lucas e um par de ladrões órfãos chamados Mellie e Arthur, virão com capacidades muito diferentes, e cada um com seus próprios assuntos para se estabelecer nessa história.

 

Além de tudo isso, algumas cenas de desolação e tragédia marcam este mundo sombrio e intrigante, vinculado à uma narrativa que está realmente se movendo sem recorrer aos sofrimentos das crianças. Apesar de sua situação desafiadora, os irmãos se contentam com a pouca ajuda que recebem, reforçada pela engenhosidade de Amicia, para sobreviver a essa bagunça catastrófica. O game também amplia o impacto cataclísmico da Peste Negra através de uma lente de horror diferente, envolvendo histórias macabras de Lovecraft e inserindo os ratos escorregadios: quer estejam correndo na escuridão húmida debaixo da cidade, quer atrás de cadáveres comidos pela metade, nunca deixam de ser desconcertantes durante todo o percurso da história.

Além de representações macabras da peste e dos ratos à parte, A Plague Tale: Innocence é, em resumo, uma história emotiva de resiliência contra adversidades angustiantes. O título do game é um aceno óbvio para a perda de inocência que só jovens enfrentam ao longo de sua jornada. Mas do que isso, também se refere à depravação humana e do custo da sobrevivência no meio da guerra.

 

Um momento especial é quando Amicia vê outra flor silvestre em uma caminhada solitária pela cidade, aninhada entre a decadência dos ninhos revoltosos dos ratos. Sem seu irmão por perto, ela pega e coloca cuidadosamente em seu próprio cabelo, se tornando um lembrete pessoal para continuar caminhando em meio às dificuldades.

 

Apesar dos horrores ininterruptos do início da história, o game ocasionalmente deixa entrar um vislumbre de esperança, fazendo valer a pena essa experiência!

Por fim, eu curti muito essa experiência diferente, transmitindo em meu canal da Plataforma MIXER, mas planejo rejogar e explorar melhor esse universo, conhecendo mais dos dois personagens e entendendo melhor a praga e suas doenças, em meio à sombria época comandada pela Inquisição.

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